21 novembro 2014

Eva

Há alguns anos Eva esperava por esse momento. Finalmente, estava livre para fazer o que quisesse. A primeira coisa que escolheu, dentre as inúmeras ideias e desejos que perturbavam sua mente, foi viajar. Não tinha um destino específico, mas não o faria para conhecer novos lugares, muito menos para assistir a algum congresso. Viajava pelo simples fato de estar só, em um lugar desconhecido, sem nada de concreto a fazer – a não ser se manter com o pouco dinheiro que levara.

Tinha comprado as passagens com seu próprio dinheiro, que juntara durante alguns meses dando aulas para crianças em uma escola de línguas. Chegara até ali sozinha, sem que ninguém precisasse pegar em sua mão e lhe guiar pelo meio turbulento da vida adulta. Afinal, não era tão difícil assim ser adulto. Dezenove anos não parecem lá essas coisas quando tudo o que você tem que fazer é ir às aulas e tirar boas notas.

Nos últimos quatro anos só havia viajado de carro, com os pais; e raramente de ônibus, para visitar algum parente em alguma pequena cidade do interior. Também havia voado de avião, só uma vez. Sem contar as inúmeras – quase infinitas – viagens de uma hora que fazia de casa à escola, todos os dias. Nenhuma dessas viagens importava. Aquela, sim, era diferente: estava ali somente por sua vontade.

Poderia abrir o vidro, sentir o vento da estrada passando pelos seus cabelos soltos, ouvir o zumbido indistinto das árvores na margem da rodovia cantarolar em seus ouvidos. Podia, já dentro do ônibus, cercada de poucas outras pessoas que se aventuravam em uma viagem no meio da semana, observar tudo o que lhe fora borrado nos últimos anos. Imaginava se aqueles caros companheiros de ônibus também se sentiam felizes. Ou se apenas rumavam para reuniões de negócios, visitas de família, ou fugas da realidade.

Ajeitando-se no assento, Eva olhou para o relógio: 20h16, piscavam os números sob a luz artificial que vinha do teto do ônibus. Sumindo no horizonte, o sol – que especialmente naquele dia parecia ter se atrasado – emitia os últimos raios sobre as nuvens, tornando tudo aquilo uma pequena e malfeita recriação de Into the Wild. Abrira ainda mais a janela, para sentir o vento que lhe fora negado em troca do conforto do ar-condicionado do carro dos pais.

O vento parecia correr mais rápido. Cada vez menos árvores, e mais borrões – com suas sombras alongadas ao infinito que Eva deixava para trás – passavam por seus olhos. Os fios finos de cabelo se embaralhavam e dançavam complacentes ao movimento do ar corrente. Mais rápido, o ônibus seguia rumo ao desconhecido, que poderia ser difícil e nada convencional, mas que só atiçava o desejo de viver e explorá-lo. O vento frio trazido pelo início da noite ardia-lhe os olhos, que começavam a lacrimejar. Fechou-os. Pela última vez. Abandonara aquela vida segura e já conhecida em busca de um propósito.

O vento era veloz. Em direção ao sol e a algo mais, o ônibus acelerava. Eva seguia, junto aos outros, pacientemente. Como se certa de que fizera tudo a seu alcance. Estavam rápidos. Talvez rápidos demais.

Texto escrito pelo meu amigo Lucas no blog dele, baseado em sonhos reais

19 novembro 2014

19 de novembro de 2014. 03:45am.

19 de novembro de 2014. 03:45am.

Querida Rua das Margaridas,

Desde que fui embora eu acordo todo dia no mesmo horário. Sempre tomo banho e vou trabalhar sem reclamar. Saio do trabalho, vou pra sala do grupo de teatro e durmo exatamente meia hora antes de correr pro estágio. Saio do estágio e corro novamente, dessa vez para o restaurante, de onde sigo pra sala 204, disposta a passar as próximas três horas ouvindo algum professor falar de qualquer assunto que não me interessa enquanto meu estômago, pesado, reclama de ter que pegar o ônibus pra ir embora. Dou boa noite pros meus pais e durmo até começar tudo de novo.

Não tenho feito (ou cogitado) nada de errado, perigoso ou letal. Meu mundo está tão "certo" que não há nem como refletir acerca do tempo que não sobra pra perceber quão profunda é a mediocridade em que resolvi ancorar o bote. Eu até aceito de cara boa. Juro.

Não leio mais sobre literatura nem me interesso pela vida das pessoas no ônibus ou pela dos meus amigos; não vejo novelas, não vou pra baladas, não bebo, não fumo e não quero estar perto de ninguém, nem das pessoas que me aquecem o coração. Não ouço mais death metal e uso esmalte transparente nas mãos, pra mostrar respeito e polidez. Esses dias inclusive me chamaram de conformada e eu me conformei. É só cansaço com um pouco de desânimo, me deixem viver em paz! Será que não entendem que eu estou em busca de ser alguém, de viver melhor?! Estou seguindo todas as regras...

Tudo bem, confesso que ainda não sei o que fazer da minha vida... Mas ao resto do mundo já digo o que querem ouvir, assim não me deparo com minhas contradições e contenho qualquer faísca das, tão antigamente comuns, rebeliões dentro de mim. Estou em progresso. Já deixei de questionar, de pesquisar, de ter curiosidade, de planejar e, adivinhe! De querer. Não quero nada. Não quero nem sair dessa situação que eu não quero permanecer. Está tudo nos conformes. Estou bem. Juro.

Estou escrevendo, mas não quero mais escrever. Mas não se preocupe, estou sendo responsável. O problema é que parte de fazer a coisa certa é dizer a verdade aos poucos e somente a quem convém. E a única verdade em tudo isso, minha querida, é que, no fim das contas, eu já fui uma pessoa melhor.

Sinto sua falta como lhe faltam os girassóis.

Rua Magnólia.

06 dezembro 2013

rima pobre é coração de joão

Era uma vez um poema esquecido
sobre um tal menino João
De seu feito imperfeito
cantam os menestréis mil canções
sobre a morte de seus corações

Corações no plural pois os tinha por demais

era um pra amar Ana, outro pra Vitória
um pra guardar rancor
um quarto pra caber os amigos
nenhum espaço pra Glória

De tanto sofrer por infarto

João certa feita se viu exausto
um coração só já sofre demais
quatro por'certo é o puro holocausto

01 dezembro 2013

A nebulosa história do surpreendente invento do Dr. Angelus - que Deus o tenha!

Já faz um bom tempo desde o acontecido, mas posso me lembrar com bastante clareza da peculiaridade daquele dia. Até hoje correm boatos sobre o incidente na casa do Dr. Angelus - que Deus o tenha! -, mas nenhum se aproxima do que aconteceu de verdade naquela tarde... Eu, bom, eu sei o que aconteceu. Eu estava lá. Eu vi tudo...


Como um mordomo exemplar, cheguei ao serviço a tempo de preparar e servir as torradas crocantes que o Dr. Angelus - que Deus o tenha! - tanto estimava em seu desjejum antes de seguir para o laboratório. Naquela manhã em especial ele negou o café da manhã, disse estar sem fome e comentou qualquer coisa ininteligível sobre uma grande descoberta que poderia mudar o rumo da humanidade antes de sair às pressas. Não me entendam mal, mas o Dr. Angelus - que Deus o tenha! - era um senhor um tanto quanto rechonchudo e tê-lo negando comida, ainda mais suas tão preciosas torradas, só poderia ser um tipo de mau presságio.



Claro que fiquei intrigado com tamanha estranheza, mas sou um mordomo exemplar e não me deixei abalar, afinal, todo mundo tem direito de acordar ansioso com uma possível descoberta que poderia mudar o rumo da humanidade. Repetindo isso até me convencer continuei meu serviço até a hora do almoço, quando pus a mesa sem nem mesmo mensurar o tamanho do problema que me esperava.

23 março 2013

Ser ou não ser: eis a coisa questão

Tinha um buraco no chão. Chamo de buraco porque não sei ao certo o que era, mas tenho certeza que não era um buraco propriamente dito, não daqueles que a gente costuma encontrar. Assemelhava-se mais a uma mancha, só que não era uma mancha tipo as manchas que costumamos ver, o que me faz duvidar se de fato o era. Talvez fosse uma lasca... Se parecia mesmo com uma lasca, mas tinha bordas que davam noção de profundidade e, pensando bem, não era uma lasca. Jamais teria como ser... Vai ver era um buraco mesmo.

Só que não era fundo. Nem raso. Nem aquilo que o delimitava eram bordas. Havia um jogo de cores e sombras pra iludir, pra fingir ilhas num buraco que não é buraco, tampouco algo substancialmente possível para ter ilhas. Talvez fosse nada, talvez fosse foice, fossa. Mas sendo qualquer coisa nenhuma sei que o era de qualquer perspectiva. Olhando de cima era, de baixo também, dos lados tentava enganar fingindo ser outra, mas não conseguia, no fim continuava sendo. Eram todos; sem ser nenhum igual ao outro.

Que poderia ser então? Um ponto de interrogação num chão supostamente esclarecido; uma dúvida bem colocada entre quatro cerâmicas; uma obra de arte... Quem sabe? Talvez não fosse nada disso afinal. Não cheguei perto o suficiente pra saber se respirava, mas vai ver a coisa tinha vida e saia correndo quando alguém chegava perto, deixando só a marca de que um dia esteve ali. Provavelmente ela tinha histórias pra contar e anseios de ir pra algum lugar longe de toda monotonia. Ou vai ver não tinha vida e mesmo assim corria pra se esconder de mim. Entendo que é compreensível que um ser que não sei o que é tenha medo de seres que acham que sabem o que são.

Mas, se mancha, se lasca, se bicho, se falha ou se obra de arte não importa, porque, independente do que fosse tinha forma de ser e, aposto a própria coisa, que era. Parmênides e sua família que me desculpem, mas o ser era e o não ser também, o buraco que não era buraco poderia ser o que quisesse, era livre! E por isso era um em outro, vários em um só. Só era, do jeito mais indecifrável de ser, uma coisa coisada, sem nome, que, poxa vida, que coisa! Ou talvez não fosse... A propósito, nem sei mais se sei que estava lá. Vai ver nunca estive...

01 março 2013

algodão doce

Boa noite leitores que provavelmente não existem mais..!

Tudo bem? O dia está claro ou nublado por ai? Porque infelizmente aqui nessa cidadezinha tá difícil saber o que anda mais desbotado... Entretanto isso não é motivo para tristeza, não é mesmo?! Afinal, como prometido, aqui estou eu! Sim! De volta outra vez!
E para começar, na tentativa de melhorar o astral de qualquer um, eis que trago para compartilhar com a vossa senhoria um texto alheio às minhas mãos! Dessa vez a vítima é um dos meus autores independentes favoritos. Confesso que temos uma relação platônica muito intensa, li o blog dele inteirinho em alguns dias e fiz questão de procurar facebook, twitter, flickr e et ceteras sociais. Claro que apaixonei... Ficou curioso(a)? Então leia o texto que eu conto mais lá no final.


ALGODÃO DOCE
por Bruno Palma e Silva

Território perigoso é o da, digamos..., massa corpórea feminina. Duvido que haja um homem na face da Terra - tirando-se cabeleireiros, maquiadores e estilistas— que saiba como lidar com um assunto tão delicado.

     É um belo dia de verão e vocês decidem passear no parque. Sol, céu azul, cachorros e crianças de bicicleta. Tudo corre muito bem até que você, na maior ingenuidade, só querendo ser gentil, oferece um algodão doce, ou uma maçã do amor, ou uma Coca, sei lá. Ficamos com o algodão doce, para o exemplo ficar bem dramático. Ela vai sair com algo do tipo:

     — Comecei regime ontem.

     E, pronto, acabou tudo. Você, meu amigo, acaba de armar para si mesmo uma cilada. Das grandes. Das grandes mesmo.

05 novembro 2012

[Crônica] Vou de Mercedes com motorista e acompanhante

Decidi escrever esse texto porque fiquei indignado com a falta de conhecimento das pessoas sobre quanto é ruim andar de ônibus. Em contraposição a um recente post da Juliana aqui no blog dessa vez não vou falar das vantagens de pegar um transporte lotado todos os dias, e sim das suas desvantagens.

Estava na porta de um colégio ontem depois de fazer aquela irritante/inútil prova no ENEM, e ouvi uma garota de uns 18 anos reclamando com a amiga:

- Nossa meu pai já tá atrasado 10 minutos! Será que ele não sabe chegar no horário não?!

Fiquei triste (pra não ter que utilizar palavras de baixo calão) ao ouvir aquilo. Não por ela falar mal do pai, mas por saber que existem pessoas no mundo que não sabem o que é andar de ônibus. Por isso resolvi mostrar-lhes o que realmente é sofrer com transporte público. Todos seus problemas e dificuldades começam no ponto de ônibus (ou ‘busu’ para os íntimos).

02 novembro 2012

Novo meme e velho pedido de desculpas

Vamos começar pelo pedido de desculpas.
Acho que já dá pra ter uma noção do que se trata não é? Sei que não tenho postado no blog... Mas, se lembram quando falei que passei no vestibular e por isso teria mais tempo livre?
Então, as coisas não tem sido simples e fazer a bendita matricula está dando mais trabalho do que ser aprovada. Fora estou tendo que continuar indo ao colégio e frequentar o tal do ensino médio, o que já tira boa parte do meu tempo inútil.

Sem contar a quantidade de coisas que desandou esses dias... Mas são detalhes... Enfim, já tenho alguns posts preparados pra esta semana, animem-se (ou não!).

No mais, espero que entendam e não deixem de passar por aqui...

Então, vamos ao que viemos!

11 COISAS SOBRE MIM

Fui indicada pela Marily, do blog M de Maluca, que é uma fofa, pra responder a esse meme. Eis que adoro essas brincadeiras de blog, então ai vão as regras:
  • Cada pessoa tageada tem que marcar também 11 pessoas do blog dela e fazer as mesmas perguntas que eu colocar aqui. 
  • E depois tem que avisar as pessoas que você tem Tag para elas. 
  • E, claro, avisar no seu tag resposta quem te tageou ok ? 

21 outubro 2012

[Resenha] A Guardiã da Minha Irmã

"Eu me dou conta de que nós nunca temos filhos, apenas os recebemos. E às vezes não é por tanto tempo quanto esperávamos ou desejávamos. Mas ainda é muito melhor do que nunca ter tido esses filhos."
Nome oficial: My Sister's Keeper
Autora: Jodi Picoult
Editora: Verus
Sinopse:  Anna não está doente, mas parece estar. Aos treze anos, já passou por inúmeras cirurgias, transfusões de sangue e internações, para que sua irmã mais velha, Kate, possa combater a agressiva leucemia que a castiga desde pequena. Concebida por fertilização in vitro para ser uma doadora de medula óssea perfeitamente compatível com a irmã, Anna nunca questionou seu papel, até agora. Como a maioria dos adolescentes, ela está começando a buscar sua verdadeira identidade. Mas, ao contrário da maioria dos adolescentes, ela sempre foi definida em função de sua irmã. Até o dia em que Anna toma uma decisão que para grande parte das pessoas seria inconcebível, que vai destroçar sua família e trazer consequências fatais para a irmã que ela tanto ama. A guardiã da minha irmã é um livro provocativo que retrata difíceis escolhas de uma família dilacerada por uma doença - mas, acima de tudo, é a história de pessoas que lutam com todas as forças por aqueles que amam.

A gente não ama uma pessoa porque ela é perfeita, ama apesar de ela não ser.

17 outubro 2012

[Resenha] O Vendedor de Armas

“A dor é um evento. Ela acontece com você, e você lida com ela da melhor maneira possível.”
Nome oficial: The Guns Seller
Autor: Hugh Laurie
Editora: Planeta
Sinopse: Quando Thomas Lang, ex-militar de elite recebe uma proposta de 100 mil dólares para assassinar um empresário norte-americano, ele decide, imediatamente, alertar a suposta vítima - uma boa ação que não ficará impune. Em questão de horas Lang terá de se defender com uma estátua de Buda, jogar cartas com bilionários impiedosos e colocar sua vida (entre outras coisas) nas mãos de muitas mulheres fatais, enquanto tenta salvar uma linda moça e impedir um banho de sangue mundial.


Sarcástico, ácido e eletrizante, mas agora imagine que você precisa quebrar o braço de alguém...

Desnecessário

Desnecessário. Adjetivo. É quando você está com fome, vai até a geladeira e ela está vazia. Completamente vazia. Absurdamente vazia. Até a água, que deveria estar gelada, ainda está natural.

Aí você decide ir à venda da esquina. Mas deixou a carteira no quarto, no primeiro andar. Você sobe. Pega a carteira, desce as escadas e vai até a porta. E descobre que as chaves também estavam ano quarto. Aí você sobe. Novamente. Pega as malditas chaves e desce, de novo, as escadas. Quando abre a porta, vê a venda sendo fechada. Você corre. Estoura a sandália, pragueja, mas continua correndo, senão vai ficar com fome. O pé dói, mas a fome é maior. Corre, corre, corre... E chega.

O dono da venda olha pra você e segura a porta no meio do caminho. Você explica que quer comprar pouca coisa, rapidinho. E faz um “draminha”, pra ganhar o cara no papo. Mesmo sendo verdade, o cara não acredita. Você insiste e, quando ele vai fechar a porta, você entra como um raio. Ele grita e te segue. Você continua correndo e ele atrás. A cada curva, você pega pão, ovos, queijo e alguns biscoitos. Na curva final, você agradece, joga o dinheiro e pede pra ele guardar o troco. E ele só quer te dar um soco.

Mas você, apesar da fome, é mais rápido e volta pra casa. No meio do caminho, deixa a outra sandália pelo chão. Quem sabe passa algum saci e ela pode servir. Vamos ser solidários. Você abre a porta e vai à cozinha. Quando você tenta acender o fogo, sua mãe diz que o gás acabou. Você gela. Mas ela diz que tem um botijão reserva no quintal. Você pensa. 13 quilos do quintal até a cozinha, com fome, parecerão 130. Mas é o jeito e pega pesado. Literalmente.

Chegando na cozinha, troca o gás (vamos pular os detalhes, porque todo mundo sabe o saco que é trocar pneu, dinheiro pegado e botijão de gás) e acende o fogo. Prepara os ovos, o queijo, o pão... torrado... Hum... Nham, nham! Não vê a hora de comer!... É quando sua mãe, com aquele olhar de gato de boteco, diz que está tudo tão cheiroso, que quer também. É quando percebe que a comida só dá para uma pessoa.

Aí, você pensa em tudo o que sua mãe fez por você: as noites mal-dormidas (às vezes, nem dormidas), as fraldas trocadas, as jornadas triplas, os sacrifícios... Bom, entrega o prato de comida pra ela. Ela sorri e pergunta se você não vai querer. É quando você sorri também e diz que fez o prato pra ela. Que ela merece. Que a ama (e isso é verdade!). Dá-lhe um beijão, pega o pacote de biscoitos e sobe as escadas para o seu quarto, onde o notebook está ligado no Facebook (rima boba, mas você ri). Então, entre uma e outra mordiscada, escreve uma crônica. Uma crônica de uma fome anunciada (com um novo perdão pelo trocadilho...). E anuncia: o que é mesmo desnecessário?


Texto de Guilherme Ramos, escrito em 04/09/2012
(créditos únicos e exclusivos a ele e aos fatos reais que o inspiraram a escrever este conto.)

E então meus leitores, gostaram? Eu adorei!

Por isso acho que vocês deveriam dar uma passadinha no blog do Guilherme, que a propósito é esse homem simpático da foto ao lado.
Não, não o conheço...
Me deparei com um texto dele por numa de minhas andanças pela internet e decidi que era hora de postar outro conto alheio por aqui, já que os meus não aparecem...

Bom, pra quem quiser, eis o link do Prosopoética.
Espero que tenham se divertido desnecessariamente.

13 outubro 2012

E pra você que cresceu entre livros...

Boa noite pessoas!
E ai, tudo bem? Como foi o Dia das Crianças de vocês? Tiveram aquele momento nostálgico único desse dia?
Eu tive...

Se não bastassem as fotos de facebook eu e minha irmã ficamos muito tempo lembrando dos velhos tempos. Ah,como eram bons! Foi então que resolvi fazer um breve (ou não) post sobre a minha infância. Não das inúmeras histórias, mas dos livros que lia e dos amigos maravilhosos que fiz dentro dos livros
Cresci no meio de livros, fazendo amigos invisíveis em páginas que se desfaziam em pó cujo cheiro ainda conservo nas mãos.                                                                                                                           - Carlos Ruiz Zafón

Não me lembro do primeiro livro que li. Não tenho nem ideia de qual foi, mas o que importa mesmo é que, em casa, sempre me incentivaram a ler.


Desde pequenininha meu pai me motivou, liamos o mesmo livro pra poder ficar discutindo e apostando quem era o real culpado ou como as personagens se livrariam daquela enrascada. Algumas vezes liamos em voz alta pra treinar minha dicção e pronúncia, creio que boa parte da minha facilidade em falar se deve a isto...



Enfim, eu não era de contos de fadas, preferia histórias de aventura ou mistério, que tinham mais sangue... Meus preferidos eram os da coleção Vaga-Lume. Se não li todos ficaram faltando poucos. Os de mistério eram os que mais me prendiam, mas a coletânea de aventura era impecável! Amava todos. 



Títulos como O Escaravelho do Diabo, Enigma na Televisão, Açúcar Amargo, Um Cadáver Ouve Rádio, A Ilha Perdida, Barcos de Papel, Éramos Seis, Aventuras de Xisto, Gigante de Botas, são impossíveis de esquecer! Tenho a maioria até hoje na minha estante... (Se tiver interesse, tem a lista completa dos volumes da coleção aqui)


08 outubro 2012

Na Minha Estante #1

Oi! Como vai você?
Eu vou bem, obrigada.

Hoje vim fazer um post que desde o início do blog estava com vontade. Na Minha Estante será a coluna onde mostrarei aqueles livros que comprei, que peguei emprestado, que ganhei e minha opinião sobre a parte externa deles. Por parte externa entenda-se capa, formatação, tamanho e ilustrações.



Estes são os livros que vim apresentar para vocês hoje:

- Belo Desastre

- A Invenção de Hugo Cabret
- Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil
- Guia Politicamente Incorreto da História da América Latina
- Guia Politicamente Incorreto da Filosofia
-  Herança
- A Batalha do Apocalipse
- O Guia do Mochileiro das Galaxias (volume um)
- O Guia dos Curiosos (Jogos Olímpicos)



Começando por Belo Desastre, este foi um livro que me conquistou pelos olhos. Adorei a capa! E, além do fato de que todo mundo está falando bem ele custou R$12,00 em uma super promoção relâmpago da Submarino (por isso eu digo, sempre fiquem de olho!) . Eu não conhecia a editora (Verus), mas, pelo menos esteticamente, fez um bom trabalho.


A Invenção de Hugo Cabret é simplesmente o livro mais lindo que já tive a alegria de ter até o presente momento. A capa é maravilhosa, cheia de cores vibrantes e as páginas têm moldura, mas o que mais chama atenção na verdade são os desenhos. Boa parte do livro é composta por ilustrações que se assemelham a desenhos feitos a mão. Alguns são tão ricos e encantadores que se perde mais tempo observando-os do que lendo. Aliás, acreditam quando digo que ele me saiu por nada mais que R$11,30? Foi quase um presente! Estou apaixonada pelo livro...

05 outubro 2012

Sete pecados literários

Uhu! Farei meu primeiro meme como blogueira! Isso é tão emocionante...
Não, não fui indicada ou marcada ou solicitada por blog nenhum, mas encontrei ele numa postagem do skoob e resolvi fazer. Achei bem interessante a proposta, então, ai vai:


OS SETE PECADOS CAPITAIS DA LEITURA

Qual é o seu?



GANÂNCIA: qual é o seu livro mais caro? E o mais barato?

O livro mais caro que comprei foi pra dar de presente pra minha irmã, Harry Potter - A Magia do Cinema. Se não me engano paguei R$ 86,00 na época. Considero que ele também seja meu, mas, caso vocês não considerem, o mais caro foi O Senhor dos Anéis, aquela edição que contém os três livros conjuntos, por R$70,00 (e olha que foi no sebo!). O mais barato eu não sei. Dou uma sorte imensa com sites, por isso a maioria sempre sai por R$10,00 (como Nárnia!) ou, as vezes menos, como é o caso de cada livro da quadrilogia d'As Brumas de Avalon, que foram R$7,50 cada.

IRA: com qual autor tem uma relação de amor/ódio?


Nicholas Sparks com certeza. Tenho alguns momentos de extrema carência em que preciso de um romance, pego um livro dele e devoro, choro e ainda fecho falando mal. Não consigo engolir muita idealização e, convenhamos, os romances dele são uns dos culpados pelas nossas expectativas em relacionamentos... São tão perfeitinhos...

GULA: que livro devorou e voltou a reler sem qualquer vergonha?




Com certeza toda a série Harry Potter. Marcaram minha infância e adolescência, principalmente pelo fato de que cresci junto às personagens. Não tenho vergonha de admitir que devo ter lido mais de cinco vezes cada volume da série... Atualmente, os últimos que me fizeram sentir essa gula descompensada foram os da série de Patrick Rothfuss, A Crônica do Matador do Rei, e Jogos Vorazes, da Suzanne Collins. Ah, sem contar os de poesia...

PREGUIÇA: que livro você esqueceu ou deixou de lado por preguiça?


As Brumas de Avalon. A história parece ser muito boa e tudo mais, mas não consegui desenrolar minha leitura. Exigia muito da minha capacidade mental de querer compreender e, sinceramente, na época eu não tinha o minimo interesse. Ah, e Boca de Chafariz. Um livro brasileiro com características barrocas que, pelo amor de Deus...!

ORGULHO: que livro você leu e gosta de falar para parecer extremamente intelectual?


Ahn... Não sei. O Príncipe (Maquiavel), O Mundo de Sofia, 1984, alguns outros de literatura brasileira... Nada de muito ostentoso.

LUXÚRIA: quais as personagens mais atraentes que já encontrou nas suas leituras?


Aragorn de O Senhor dos Anéis e Julian de A Sombra do Vento. O primeiro é quase óbvio, com todo aquele charme de guerreiro dele eu não resisti. Mas o Julian... Ele é tão complexo e tem uma história tão linda que não consegui não me apaixonar


INVEJA: qual o livro que os seus amigos têm e que você gostaria de receber como presente?

Ai ai, esse com toda certeza é o meu pecado literário! Ver alguém com um livro que eu quero muito ter/ler me doi o coração lá no fundo... Atualmente consegui As Vantagens de Ser Invisível (que era o primeiro da lista), então quem alcançou o pódio foi The Casual Vacancy (da autora de Harry Potter) e Herança (quarto e ultimo livro da série de Eragon). Infelizmente, A Menina que Roubava Livros também está na lista dos que mais invejo, mesmo já tendo lido todo ano peço ele de aniversário/natal e ninguém se compadece de minha pessoa! Isso, senhores e senhoras, é algo muito triste.




E você? Qual o seu pecado literário?


[Resenha] O Temor do Sábio

[Esta resenha pode conter spoilers]
"Se você dá uma resposta a um homem, tudo o que ele ganha é um fato qualquer. Mas, se você lhe der uma pergunta, ele procurará suas próprias respostas."

Nome oficial: The Wise Mans Fear

Autor: Patrick Rothfuss
Editora: Arqueiro
Sinopse:Quando é aconselhado a abandonar seus estudos na Universidade por um período, por causa de sua rivalidade com um membro da nobreza local, Kvothe é obrigado a tentar a vida em outras paragens. Viaja mais de mil quilômetros buscando um patrocinador para sua música, é envolvido na política da corte, usa suas habilidade de arcanista para impedir envenenamentos e lidera um grupo de mercenários pela floresta, a fim de combater um bando de ladrões perigosos. Ao longo do caminho, tem um encontro fantástico com Feluriana, uma criatura encantada à qual nenhum homem jamais pôde resistir ou sobreviver - até agora. Conhece um guerreiro ademirano que o leva a sua terra, onde vai aprender a lutar como poucos. 
Enquanto persiste em sua busca de respostas sobre o Chandriano, o grupo de criaturas demoníacas responsável pela morte de seus pais, Kvothe percebe como a vida pode ser difícil quando um homem se torna uma lenda de seu próprio tempo.


De menino a homem. De homem a herói. De herói a assassino.

02 outubro 2012

Esses tais de Marcelo

Olá pessoas! Como vão?

Têm tido algum tempo livre pra fazer tudo o que amam?

Parece que as coisas vêm se encaminhando pra mim, porque finalmente tenho encontrado algumas horas livres no decorrer dos dias. Sim! Estou tão feliz com esta possibilidade do ócio que até o blog ficou meio de lado... Sinto muito.

Para comemorar minha maravilhosa volta ao campo da dedicação (ui!), vim lhes apresentar mais um cantor da nossa querida mpb! Não sei se é o estilo preferido de vocês, mas me surpreendo cada dia mais com a riqueza da nossa música e acho que dar valor a ela é uma das coisas que nosso povo mais precisa aprender a fazer.


Mas, vamos ao que viemos. E o nome dele é Marcelo Jeneci, um charmoso cantor e compositor que conheci por acaso lendo comentários de um blog. 


Sabe aquela doçura que falta em muitos dos tons da maioria das músicas? Então, não faltam a Jeneci.


Marcelo nasceu em abril de 1982, em Guaianases, Zona Leste de São Paulo.  Cresceu embalado pelas estações de rádio populares e trilhas sonoras de novela, apaixonado por Roberto Carlos e instrumentos musicais.

Lançou seu primeiro disco no final de 2010, Feito para Acabar, um dos melhores discos de 2010, segundo revistas como a Rolling Stones. Em minha opinião, um título bem merecido e trabalhado. Apesar do álbum recentemente lançado ele já conta com mais de uma década de trabalho musical, seja como instrumentista seja como compositor.



01 outubro 2012

[Resenha] As Vantagens de Ser Invisível

“Eu acho que somos quem somos por várias razões. E talvez nunca conheçamos a maior parte delas.”


Nome oficial: The Perks of Being a Wallflower

Autor: Stephen Chbosky
Editora: Rocco (Brasil) e MTV (EUA)
Sinopse: Cartas mais íntimas que um diário, estranhamente únicas, hilárias e devastadoras - são apenas através delas que Charlie compartilha todo o seu mundinho com o leitor. Enveredando pelo universo dos primeiros encontros, dramas familiares, novos amigos, sexo, drogas e daquela música perfeita que nos faz sentir infinito, o roteirista Stephen Chbosky lança luz sobre o amadurecimento no ambiente da escola, um local por vezes opressor e sinônimo de ameaça. Uma leitura que deixa visível os problemas e crises próprios da juventude.



Intenso, surpreendente, inspirador, atordoante, infinito.

24 setembro 2012

Cinema só com Pipoca #1

Hey vocês!
Como vão? Por ai está fazendo sol? Aqui tem feito muito, mas ai ai, deixa eu parar de enrolar...
Sabem que venho pondo coisinhas novas, adaptando e estreando "quadros" novos por aqui né?! Então, outra coisa que eu pretendia fazer no blog era uma categoria pra filmes e séries (sei que todo mundo tem uma dessa, mas né...), adoro estar assistindo novos e velhos pra poder opinar sobre. 
Pra estrear venho com duas dicas de filmes, todos romances, ou quase... Sim, estava meio sensível esses dias...


UM DIA

Gênero: Romance/Comédia

Censura: 12 anos
Duração: 107 min.
Ano de lançamento: 2010


Sinopse: Depois de um dia juntos – 15 de julho de 1988, data da formatura da faculdade – Emma Morley (Anne Hathaway) e Dexter Mayhew (Jim Sturgess) iniciam uma amizade que durará a vida toda. Ela é uma menina de classe operária cheia de princípios e ambição que sonha em tornar o mundo um lugar melhor. Ele é um conquistador rico que sonha que o mundo será o seu playground.
Nas duas décadas que se seguem, momentos-chaves de seu relacionamento são vividos em diversos dias 15 de julho da vida dos dois. Juntos ou separados, vemos eles ao longo de sua amizade e brigas, esperanças e oportunidades perdidas, risadas e lágrimas. Mas, em algum ponto dessa jornada, eles percebem que aquilo que buscam e desejam estava lá o tempo todo. Com a revelação do verdadeiro significado daquele dia de 1988, eles aceitam a natureza do amor e da própria vida.

Trailer: 




Minha opinião:  O filme é baseado no livro de David Nicholls com o mesmo nome, que agora eu quero muito ler! Só o que tenho a dizer é que Um Dia é lindo! Há tempos que não via um romance dessa forma. Mesmo sendo triste a historia não me fez chorar e, isso é raro. Mas é um filme sobre a vida, como ela pode ser boazinha ou traiçoeira, só depende das nossas escolhas e da nossa vontade em fazer as coisas acontecerem. Claro que ele cai em alguns clichês e tem partes em que você fica por entender o que estava acontecendo, mas ,(ainda bem!) nenhum filme é totalmente perfeito. Voltando ao romance, ele é maravilhosamente conturbado e desesperador! As personagens são encantadoras com toda aquela cumplicidade e compreensão... Acho que ainda estou apaixonada pelo filme...

21 setembro 2012

[Resenha] Feios


“Em um mundo de extrema perfeição, o normal é feio”


Nome oficial: Uglies
Autor: Scott Westerfeld
Editora: Record
Sinopse: Em uma sociedade futurística, todos os adolescentes esperam ansiosos o aniversário de 16 anos, pois então serão submetidos a uma inacreditável cirurgia plástica, que corrigirá todas as suas imperfeições físicas, transformando-os em perfeitos. Tally, porém, acaba se envolvendo em uma conspiração e descobrirá que, por trás de tanta perfeição, se esconde um terrível segredo

Feios e perfeitos, fúteis e controlados, revoltados e temidos


20 setembro 2012

Aproveitando a deixa

Digamos que sou o tipo de pessoa que não pode ver o link de um texto com título interessante que corre pra ler. Muitas vezes encontro coisas interessantes, por isso tinha em mente fazer um post por semana com textos, tutoriais, dicas ou qualquer outra coisa que visse por ai que não fosse escrita por mim.
Sem querer esbarrei há pouco com "Por que andar de ônibus faz bem ao seu caráter". Adorei a posição da autora e decidi que era uma ótima forma de começar, afinal, já falávamos de ônibus mesmo...

Por que andar de ônibus faz bem ao seu caráter


Não confie completamente em uma pessoa que nunca andou de ônibus. Não importa se hoje você tem um Camaro Amarelo (e é doce doce doce), se você já andou de ônibus em uma fase de sua vida, você não é a mesma pessoa. Digo mais: ainda que você tenha condições de comprar um Porsche para o seu filho quando ele fizer 18 anos, permita que ele passe ainda que poucos meses andando de ‘busão’. É que, para mim, este meio de transporte forma nosso caráter como chinelada nenhuma consegue fazer. Explico nos pontos seguintes.